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Treino

Capacidade física chega ao pico até os 36 anos e cai de 30% a 48% até os 63, mostra estudo sueco de 47 anos

Pesquisa do Karolinska testou 427 pessoas dos 16 aos 63 anos; quem passou a se exercitar na vida adulta teve desempenho de 4% a 11% maior.

Por Redação wellvy.news ·

Pessoa deitada em aparelho de supino numa academia ao ar livre à beira d'água, com árvores e prédios ao fundo
Pessoa faz supino em aparelho de academia ao ar livre à beira d'água em Estocolmo, na Suécia. Foto: Christer.carlberg (CC BY-SA 4.0)

Em 1974, 427 adolescentes suecos de 16 anos foram sorteados para fazer uma bateria de testes físicos. Os mesmos participantes voltaram a ser avaliados aos 27, 34, 52 e 63 anos. O resultado, publicado no fim de 2025 no Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle por pesquisadores do Instituto Karolinska, mostra que o fôlego e a resistência muscular chegam ao auge entre os 26 e os 36 anos e depois caem num ritmo que acelera com a idade. A curva vale como referência para qualquer pessoa que treina, no Brasil ou fora dele.

O trabalho é um estudo observacional de coorte, a SPAF (sigla em inglês para Estudo Sueco de Atividade Física e Condicionamento). Foram 222 rapazes e 205 moças, todos nascidos em 1958, escolhidos para representar os estudantes do ensino médio da Suécia. A vantagem do desenho é seguir as mesmas pessoas por 47 anos, em vez de comparar jovens e idosos de gerações diferentes num único momento.

Os testes mediram três coisas. A capacidade aeróbica foi estimada num teste submáximo em bicicleta ergométrica. A resistência muscular foi o número de repetições de supino com barra de 20 kg para homens e 12 kg para mulheres, no ritmo de 25 por minuto. A potência das pernas foi medida pela altura de um salto vertical. O estudo não mediu força máxima, ou seja, quanto peso a pessoa consegue levantar uma única vez.

Queda lenta no começo, mais rápida depois

A capacidade aeróbica atingiu o pico aos 35 anos nas mulheres e aos 36 nos homens. No supino, o auge veio aos 34 e aos 36. O salto chegou ao máximo antes: aos 19 anos nas mulheres e aos 27 nos homens. Depois do pico, a perda começou em 0,3% a 0,6% ao ano e acelerou até 2% a 2,5% ao ano perto dos 63.

Somada, a queda entre o pico e os 63 anos foi de 30% a 48%, conforme o teste e o sexo, com média de 37%. A maior perda foi no salto das mulheres (48%); a menor, na capacidade aeróbica delas (30%). O ritmo de declínio foi parecido entre homens e mulheres. Aos 63, os participantes mantinham cerca de 65% do pico aeróbico e de resistência, enquanto atletas master da mesma idade costumam conservar mais de 80%, segundo estudos citados pelos autores.

Outro dado chama atenção: a diferença entre as pessoas cresceu com o tempo. Dos 16 aos 63 anos, a variação entre os participantes aumentou de 3 a 25 vezes, conforme o teste. Em outras palavras, a média cai para todos, mas quanto cada um perde depende muito de como viveu.

O que isso muda para quem treina

Quem praticava esporte no tempo livre aos 16 anos teve capacidade maior em todos os testes ao longo da vida. E quem passou de inativo a ativo na vida adulta teve desempenho, em média, 6% a 7% maior na capacidade aeróbica, 11% maior no supino e 4% maior no salto. "Nunca é tarde para começar a se mexer. Nosso estudo mostra que a atividade física pode desacelerar a queda no desempenho, mesmo que não consiga interrompê-la por completo", disse a autora principal, Maria Westerståhl, em declaração publicada pelo ScienceDaily.

Há limites. A atividade física foi registrada com uma pergunta de sim ou não, sem detalhar tipo, intensidade ou frequência do treino, e a coorte é de suecos nascidos em 1958. Por ser observacional, o estudo mostra associação, não prova que o exercício foi a causa da diferença. Um trabalho posterior com o mesmo grupo, publicado em 2026 na Scientific Reports, associou maior capacidade aeróbica aos 34 e aos 52 anos a artérias menos rígidas aos 63.

Para quem treina, o pico médio por volta dos 35 anos não é prazo de validade: é uma média populacional, e o estudo não testou nenhum programa de exercício. O que os dados indicam é que o declínio existe para todos e que estar ativo está associado a perder menos. Para montar ou ajustar um treino de força, potência e fôlego adequado à sua idade, procure um profissional de educação física.

Com informações de Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle (Westerståhl et al., 2025), Scientific Reports (Tryfonos et al., 2026), ScienceDaily e O Globo.

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