Whoop entra no Medicare e vai receber conforme pressão e colesterol dos pacientes melhorarem
Programa do governo americano paga empresas de tecnologia por resultado clínico; a pulseira, sem venda oficial no Brasil, passa a mirar idosos com risco cardiometabólico.

A Whoop, pulseira de monitoramento conhecida pelos anúncios com atletas, agora mira aposentados americanos. A empresa entrou no ACCESS, programa do Medicare, o seguro público de saúde dos EUA voltado sobretudo a quem tem 65 anos ou mais, e passou a oferecer sem custo a pacientes elegíveis um kit com a pulseira, assinatura de 12 meses do aplicativo e acompanhamento de profissionais de saúde. O pagamento do governo depende de os pacientes melhorarem.
O ACCESS foi criado pelo centro de inovação do CMS, a agência que administra o Medicare, para testar por 10 anos o pagamento por resultado no cuidado de doenças crônicas com tecnologia. Começou em 5 de julho de 2026 e vale para o Medicare tradicional. As empresas recebem parcelas recorrentes por paciente, e o pagamento integral depende da parcela de pacientes que atingem metas clínicas, como baixar a pressão, contra um piso que sobe a cada ano.
A Whoop atua na trilha de risco cardiometabólico inicial, que inclui hipertensão, colesterol alto, sobrepeso ou obesidade com gordura abdominal e pré-diabetes. Segundo o STAT, para receber o valor cheio a empresa terá de mostrar melhora ou controle de pressão, hemoglobina glicada e colesterol LDL dos pacientes.
A entrada foi anunciada em 13 de abril, por meio da WHOOP Physician Services, braço médico da empresa, que informou que cobriria a coparticipação dos pacientes. Em agosto veio o lançamento do Connected Care, o pacote do programa: começou em 14 estados, com expansão nacional prevista para o mesmo mês, e inclui a Whoop 5.0, a assinatura e um medidor de pressão Omron liberado pela FDA, de acordo com a revista NewBeauty. Quem já tem Whoop não pode migrar a conta antiga.
Simplificar o app para idosos
Nesta quarta-feira (14), no STAT Summit, em Boston, a nova diretora médica da Whoop, Ami Bhatt, disse que a prioridade número um da empresa é simplificar o aplicativo para esse público. Bhatt presidiu o comitê consultivo de saúde digital da FDA e foi diretora de inovação do American College of Cardiology. Segundo ela, a Whoop trabalha com o National Council on Aging e a AARP, entidades de defesa dos idosos americanos, para adaptar o produto.
"O objetivo é aproximar a tecnologia do paciente sem jogar o custo nele, e sim a exigência na empresa", disse Bhatt no evento, segundo o STAT. Ela também defendeu entregar aos médicos relatórios que resumam os dados contínuos da pulseira, já que, como médica, ela não dava conta de analisar numa consulta de 20 minutos as pastas de dados impressos que alguns pacientes levavam.
A guinada clínica vem com dinheiro novo. Em março, a Whoop levantou US$ 575 milhões a uma avaliação de US$ 10,1 bilhões, numa rodada liderada pelo Collaborative Fund e com Mayo Clinic, Abbott e o fundo soberano do Catar entre os investidores. A empresa diz ter mais de 2,5 milhões de membros no mundo. Segundo o STAT, a FDA encerrou neste ano a carta de advertência que havia enviado à Whoop por causa da função que estima a pressão arterial.
E no Brasil
A Whoop não tem venda oficial no Brasil, segundo levantamento do TechTudo publicado em abril: a pulseira chega por importação ou por vendedores terceiros em marketplaces. O comunicado da rodada de março cita a América Latina entre as regiões de expansão, sem datas nem países. O ACCESS vale só para o Medicare americano.
Para quem tem studio ou academia, o recado está na lógica do programa: wearable deixa de valer pela quantidade de dados que coleta e passa a valer pelo resultado que comprova em pressão, glicemia e colesterol. O aluno que chega com pulseira no pulso já traz esses números, e o studio que registra a evolução dele com método fala a mesma língua que médicos e pagadores começam a exigir.
Com informações de CMS (ACCESS Model), Whoop (comunicado de 13/4/2026), Whoop (comunicado do Connected Care), Mubadala (comunicado da rodada da Whoop), STAT, NewBeauty e TechTudo.


