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Saúde

Quase 3 em cada 10 estudantes avaliados em escolas de 3 estados tiveram pressão na faixa de hipertensão

Triagem coordenada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia mediu 6.092 crianças e adolescentes numa única visita; o diagnóstico exige confirmação em outras consultas.

Por Redação wellvy.news ·

Vista de cima de uma mesa onde um profissional de saúde mede a pressão no braço de uma pessoa com manguito e aparelho de ponteiro, ao lado de um estetoscópio
Medida da pressão arterial com manguito e esfigmomanômetro de ponteiro. Foto: rawpixel.com (CC0)

Uma triagem feita em 38 escolas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo encontrou pressão arterial na faixa de hipertensão em 28,3% de 6.092 crianças e adolescentes. Outros 11,6% ficaram na faixa de pré-hipertensão, acima do normal. Os dados são da primeira fase do projeto Brasil Coração Saudável, coordenado nacionalmente pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz como centro coordenador.

Os estudantes foram examinados entre 3 de junho e 7 de outubro de 2026. Quase todos vieram de Minas Gerais (2.973) e do Rio Grande do Sul (3.059); São Paulo entrou com 60. O levantamento é descritivo, divulgado pelo próprio projeto, sem publicação em revista científica informada até agora, e não representa necessariamente todas as crianças do país.

Uma medida não é diagnóstico

As medidas foram repetidas durante uma única visita à escola, e o documento não detalha como os casos seriam confirmados. Isso pesa: pela diretriz brasileira de hipertensão de 2020, o diagnóstico em crianças e adolescentes exige pressão no percentil 95 ou acima, para idade, sexo e altura, em três visitas diferentes, com confirmação pelo método auscultatório (o do estetoscópio). Aparelhos automáticos validados servem para a primeira avaliação.

Ao g1, o cardiologista pediátrico Gustavo Foronda, do InCor, disse que o número deve ser lido com cuidado, porque a proporção de casos confirmados tende a ser menor. Mas avaliou que o resultado "sinaliza um problema real".

A frequência mais alta apareceu entre meninos de 15 a 18 anos: 40,7% na faixa de hipertensão, contra 28,6% das meninas da mesma idade. Entre os menores de 7 anos, foram 39,1% dos meninos e 30,2% das meninas.

Peso e cintura aparecem associados

Um em cada três estudantes (33,1%) tinha excesso de peso: 19,5% com sobrepeso e 13,6% com obesidade. Entre os de 7 a 18 anos, a pressão na faixa de hipertensão apareceu em 48,4% dos que tinham obesidade, 30,1% dos com sobrepeso e 22,6% dos com peso adequado. Na faixa de 15 a 18 anos, a diferença foi de 60,5% para 23,4%.

A gordura abdominal seguiu o mesmo padrão. Entre quem tinha cintura maior que metade da altura (17,4% da amostra), 40,6% estavam na faixa de hipertensão, contra 24,4% dos demais. Como a análise é descritiva, os dados mostram associação, não causa e efeito.

O levantamento também perguntou sobre hábitos. Fora da escola, 59% passavam três horas ou mais por dia diante de telas, com média de 3,8 horas. Entre os que faziam atividade física na escola, 66,1% dedicavam só uma a duas horas por semana. Cerca de um em cada oito relatou estresse intenso ou exagerado em casa (12,7%) ou na escola (12,5%), mas os resultados não ligam o estresse à pressão.

A diretriz de 2020 recomenda medir a pressão de toda criança a partir dos 3 anos ao menos uma vez por ano. Foronda cita como prioridades alimentação adequada, atividade física, menos tempo de tela, medição regular de pressão e cintura e confirmação do diagnóstico em novas consultas, com mudança de hábitos como primeira linha e remédio só quando indicado. Pais com dúvida devem levar a criança ao pediatra.

Com informações de Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial 2020 (SBC, SBH e SBN), g1 e Metrópoles.

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