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Exercício está associado a menor risco de câncer de mama e reduz a fadiga no tratamento, mostram diretrizes

Guia do INCA e de sociedades médicas e consenso do American College of Sports Medicine reúnem a evidência; o treino complementa o tratamento e não substitui exames nem terapia.

Por Redação wellvy.news ·

Tendas brancas e faixas cor-de-rosa da Race for the Cure num gramado em Roma, com pinheiros ao fundo
Estrutura da Race for the Cure, evento de corrida e caminhada contra o câncer de mama, no Circo Máximo, em Roma, em 2018. Foto: Captain Raju (CC BY-SA 4.0)

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 casos novos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Fora os tumores de pele não melanoma, é o câncer mais frequente no país. Em 2023, a doença matou 20.165 mulheres. No Outubro Rosa, vale olhar o que a ciência diz sobre o papel do exercício, que tem evidência em duas frentes diferentes e com pesos diferentes.

Na prevenção: associação, não garantia

O guia *Atividade Física e Câncer: Recomendações para Prevenção e Controle*, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), do INCA e da Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde (SBAFS), reuniu revisões sistemáticas e meta-análises. Os estudos de prevenção são observacionais: acompanham grupos de mulheres ao longo do tempo e comparam quem se mexe mais com quem se mexe menos. Por isso mostram associação, não causa.

Nessas análises, praticar qualquer atividade física, em comparação com nenhuma, está associado a um risco 12% menor de câncer de mama. A associação aparece antes e depois da menopausa, com riscos 13% e 12% menores. E há relação de quantidade: o risco é 5% menor a cada duas horas semanais a mais de atividade moderada a vigorosa. O guia classifica a certeza dessa evidência como alta. O relatório de 2019 do American College of Sports Medicine (ACSM) chega à mesma conclusão e põe a mama entre sete tipos de câncer em que a atividade física tem papel na prevenção.

Depois do diagnóstico, a evidência ainda é sobretudo observacional. Uma meta-análise de 10 estudos de coorte citada no guia associou mais atividade física após o diagnóstico a um risco 38% menor de morrer pela doença. Em quatro coortes e um ensaio clínico, o risco de recorrência foi 32% menor. O guia chama essa certeza de moderada.

Durante e depois do tratamento: ensaios clínicos

Aqui o tipo de estudo muda. O consenso internacional do ACSM de 2019 para sobreviventes de câncer revisou ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas e meta-análises. Só considerou forte a evidência quando havia pelo menos cinco ensaios, mais de 150 participantes somados e resultado consistente. Com esse critério, concluiu que treino aeróbico, de força ou os dois combinados melhoram fadiga, ansiedade, sintomas depressivos, função física e qualidade de vida. Boa parte desses ensaios foi feita com mulheres com câncer de mama. Para neuropatia periférica e funções cognitivas, o efeito ainda é incerto.

O mesmo consenso contraria uma orientação antiga de evitar musculação por medo de linfedema, o inchaço no braço após a cirurgia. Treino de força progressivo, começando leve, é seguro quando supervisionado por um profissional; não há evidência suficiente para dizer o mesmo do treino sem supervisão. O guia brasileiro considera a atividade física tolerável e segura também durante quimioterapia, radioterapia e terapia hormonal, e a contraindica em caso de infecção, febre, dor intensa ou dor no peito não investigada.

Nada disso transforma exercício em tratamento contra o câncer. A atividade física complementa a mamografia, o acompanhamento médico e a terapia indicada pelo oncologista. Para a população em geral, com ou sem diagnóstico, o guia recomenda ao menos 150 minutos de atividade moderada ou 75 de vigorosa por semana.

Quem está em tratamento só deve começar ou manter o treino com liberação do oncologista e com acompanhamento de um profissional de educação física.

Com informações de SBOC, INCA e SBAFS (Atividade Física e Câncer: Recomendações para Prevenção e Controle, 2022), Medicine & Science in Sports & Exercise (Campbell et al., 2019, consenso do ACSM para sobreviventes de câncer), Medicine & Science in Sports & Exercise (Patel et al., 2019, relatório do ACSM sobre prevenção), INCA (Estimativa 2026-2028) e Fitness Brasil.

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