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Curativo líquido da Unicamp reduziu pela metade o tempo de cicatrização em testes com animais

Solução de polímero vira película transparente sobre a ferida em até 45 segundos; ainda não há teste em pessoas divulgado e o produto depende de etapas na Anvisa.

Por Redação wellvy.news ·

Letreiro com o nome Unicamp em um canteiro de flores na entrada do campus, com árvores e uma rua ao fundo
Entrada do campus principal da Unicamp, em Campinas (SP), onde o curativo foi desenvolvido na Faculdade de Engenharia Química. Foto: Renato M.E. Sabbatini (CC BY-SA 2.5)

Um curativo líquido criado na Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp cortou o tempo de cicatrização em cerca de 50% na comparação com curativos tradicionais, segundo os pesquisadores. O resultado vem de ensaios pré-clínicos in vivo, ou seja, feitos em animais, em parceria com a Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ). Ainda não foi divulgado nenhum teste em pessoas.

A solução é aplicada direto sobre a lesão e forma uma película fina e transparente em até 45 segundos. A ideia é dispensar gaze, esparadrapo e a troca do curativo: o material serve de suporte para as células da pele se refazerem e, segundo a equipe, é absorvido pelo organismo durante a cicatrização.

O que se sabe do teste

Os dados saíram em comunicado da Inova Unicamp, a agência de inovação da universidade, publicado em 10 de setembro. O texto atribui o número à pesquisadora Ana Flávia Pattaro e não informa a espécie usada, quantos animais participaram, que tipo de ferida foi tratado nem qual curativo serviu de comparação. O wellvy.news não localizou artigo em revista científica com esses resultados.

O Conselho Federal de Farmácia, ao noticiar o estudo, registrou que a tecnologia não está disponível para uso clínico e que os resultados até agora não devem ser lidos como prova de eficácia em seres humanos.

Como funciona

A base é o poli(ácido lático), o PLA, um polímero já conhecido pela compatibilidade com o corpo. A dificuldade, segundo o coordenador Rubens Maciel Filho, era deixá-lo líquido: os métodos usuais pedem solventes tóxicos, que não podem tocar uma ferida aberta. O grupo diz ter chegado a uma mistura de solventes de origem renovável e sem toxicidade para o organismo.

Há duas formas de aplicação previstas:

  • um eletrofiador portátil, que lança nanofibras sobre a pele, pensado para hospitais e consultórios;
  • um spray em aerossol, para lesões superficiais tratadas em casa.

Segundo a equipe, a película é impermeável à água de fora, o que permite tomar banho sem cobrir a área, acompanha o movimento de cotovelos e joelhos e, por ser transparente, deixa ver a ferida sem retirar a proteção. Em entrevista à Agência FAPESP em setembro de 2024, Pattaro disse que o produto não serve para lesões contaminadas por bactérias.

Além de Maciel Filho e Pattaro, assinam a invenção André Luiz Jardini Munhoz e Maria Ingrid Rocha Barbosa Schiavon. A tecnologia foi licenciada com exclusividade para a Dermbio Biotech, empresa nascida na Unicamp que tem os inventores como sócios. A FAPESP financiou o desenvolvimento pelo programa de pesquisa em pequenas empresas (PIPE): a fase 1 foi de fevereiro a outubro de 2023, e a fase 2, de setembro de 2024 a agosto de 2026, previa ampliar a produção, controle de qualidade e testes de avaliação de risco.

O próximo passo, de acordo com a Inova Unicamp, é regulatório: a Dermbio trabalha nas etapas exigidas pela Anvisa para que o curativo possa chegar ao mercado. Não há data anunciada. Enquanto isso, a regra continua a mesma: ferida que demora a fechar, inflama ou volta a abrir deve ser avaliada por um médico.

Com informações de Inova Unicamp (comunicado, 10/9/2026), Biblioteca Virtual da FAPESP (PIPE, processo 24/02724-0), Biblioteca Virtual da FAPESP (PIPE, processo 22/10500-0), Conselho Federal de Farmácia, Agência FAPESP, O Globo e FitFeed.

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