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Colesterol LDL acelera no ano da última menstruação, mostra estudo que acompanhou 1.054 mulheres

Alta está ligada à queda do estrogênio, não só à idade ou à dieta; diretriz brasileira trata a transição como janela para cuidar do coração.

Por Redação wellvy.news ·

Carrossel circular numerado com dezenas de copinhos de amostra dentro de um analisador automático de laboratório
Carrossel de amostras de um analisador automático de bioquímica clínica, equipamento que processa exames de sangue em laboratório. Foto: Делфина (CC BY-SA 4.0)

Muitas mulheres entre os 45 e os 55 anos veem o colesterol subir no exame de rotina sem ter mudado a alimentação. A explicação está, em boa parte, na própria menopausa. O SWAN, estudo americano que acompanhou 3.302 mulheres de cinco grupos étnicos com exames anuais, mostrou que o LDL, o chamado colesterol ruim, sobe mais rápido justamente no ano em torno da última menstruação.

A análise, publicada no Journal of the American College of Cardiology, olhou para 1.054 participantes que chegaram à menopausa de forma natural, sem cirurgia e sem terapia hormonal antes da última menstruação. O ritmo de alta do LDL foi de cerca de 1,6 mg/dL por ano antes desse período, de 5,2 mg/dL no intervalo de um ano antes a um ano depois da última menstruação e praticamente zero depois. Colesterol total e apolipoproteína B, proteína que acompanha as partículas de LDL, seguiram o mesmo desenho.

O detalhe importante é que os outros fatores de risco medidos, como glicose e pressão arterial, mudaram de forma gradual ao longo dos anos, padrão compatível com o envelhecimento. Só colesterol total, LDL e apolipoproteína B tiveram o salto concentrado na menopausa, e isso se manteve depois de descontadas diferenças de idade na menopausa, peso, ganho de peso, dieta, atividade física, tabagismo e remédios. O padrão foi parecido em todos os grupos étnicos.

Por que o estrogênio pesa

A Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa, publicada em 2024 pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) em conjunto com a Febrasgo, a Associação Brasileira de Climatério (Sobrac) e a Sociedade Interamericana de Cardiologia, resume o papel do estradiol. O hormônio aumenta a quantidade de receptores de LDL, as estruturas que retiram esse colesterol do sangue, acelera a eliminação do VLDL, reduz a produção de LDL e protege as partículas de oxidação. Com a queda do estrogênio na transição menopausal, parte dessa proteção se perde.

A diretriz também aponta a mudança na distribuição de gordura: antes concentrada em quadris e coxas, ela passa a se acumular no abdome, o que se associa a resistência à insulina e a maior risco metabólico. Segundo o documento, um LDL mais alto na transição está ligado ao aparecimento de placas nas carótidas depois da menopausa.

A American Heart Association foi na mesma direção numa declaração científica de 2020: a transição menopausal é um período de aceleração do risco cardiovascular, e a meia-idade é uma janela crítica para começar a prevenção cedo. Os autores do SWAN observaram que, na média, o LDL das participantes ficou dentro da faixa considerada normal, mas que mesmo valores normais nessa fase já foram associados, em outros estudos, a sinais de aterosclerose anos depois.

O que fazer com o exame

Ver o colesterol subir nessa fase não significa necessariamente descuido. Também não significa que hábitos deixem de contar: a diretriz brasileira inclui alimentação, exercício e sono adequados entre as medidas para proteger o coração. E a terapia hormonal não é tratamento para colesterol. O documento não recomenda hormônios para prevenir doenças crônicas em mulheres sem sintomas; a indicação principal é tratar sintomas da menopausa, com decisão individual.

Se o seu LDL mudou entre os 45 e os 55 anos, leve o exame ao ginecologista ou ao cardiologista. São eles que avaliam o risco cardiovascular como um todo e decidem se é preciso acompanhar mais de perto ou tratar.

Com informações de Journal of the American College of Cardiology (Matthews et al., 2009, estudo SWAN), Arquivos Brasileiros de Cardiologia (Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa, 2024), Circulation (declaração científica da American Heart Association, 2020) e FitFeed.

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