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Saúde

Americano processa Novo Nordisk e diz ter ficado cego após usar Ozempic; agências já citam risco muito raro

A ligação entre o remédio e o caso dele não foi provada; EMA e Anvisa incluíram em 2025 a neuropatia óptica isquêmica como efeito muito raro da semaglutida.

Por Redação wellvy.news ·

Tabela de letras para teste de visão exibida em tela presa à parede branca
Tabela de Snellen, usada para medir a acuidade visual, em um hospital na Nigéria. Foto: Beendy234 (CC0)

Um morador do estado de Maryland, nos Estados Unidos, de 63 anos, entrou na Justiça contra a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic. Todd Engel afirma que perdeu a visão dos dois olhos depois de começar a usar o remédio para diabetes tipo 2 e acusa a empresa de não ter alertado pacientes e médicos sobre o risco. O caso foi contado por ele à Fox News e reproduzido pelo O Globo.

Segundo o relato, a visão do olho direito escureceu de uma vez, meses depois do início do tratamento, e o diagnóstico foi neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA-NA, ou NAION, na sigla em inglês). Cerca de dez meses depois, o olho esquerdo foi atingido. Ele diz que parou o Ozempic depois do segundo episódio. A doença é causada por queda do fluxo de sangue no nervo óptico e pode deixar perda de visão permanente.

O que é alegação e o que dizem as empresas

As acusações são do autor da ação e não foram julgadas. Não foi demonstrado que o remédio tenha causado a doença no caso dele. Em resposta à Fox News, a Novo Nordisk disse que as evidências disponíveis não confirmam relação de causa entre semaglutida e NAION, citou uma análise de ensaios controlados por placebo sem aumento de casos com o remédio e chamou de improcedentes as ações movidas no país. Segundo O Globo, há centenas de processos semelhantes nos EUA contra fabricantes de remédios da classe GLP-1.

O que as agências já concluíram

Em junho de 2025, o comitê de segurança da Agência Europeia de Medicamentos (PRAC) revisou os dados e concluiu que a NAION é um efeito colateral muito raro da semaglutida, presente no Ozempic, no Rybelsus e no Wegovy: pode atingir até 1 em cada 10 mil usuários. A bula europeia passou a dizer que estudos epidemiológicos em adultos com diabetes tipo 2 indicam risco cerca de duas vezes maior que o de quem não usa, o que corresponde a aproximadamente um caso a mais a cada 10 mil pessoas tratadas por ano.

No Brasil, a Anvisa publicou alerta no mesmo mês e pediu às empresas que incluíssem o evento nas bulas como muito raro. A agência informou ter recebido no VigiMed, seu sistema de notificações, 52 relatos de suspeita de problemas oculares ligados à semaglutida, e orientou profissionais de saúde a avisar os pacientes sobre o risco.

Pela orientação das duas agências, quem nota perda repentina de visão ou piora rápida da visão durante o tratamento deve procurar o médico sem demora. Se a NAION for confirmada, a semaglutida deve ser suspensa. A decisão de começar, manter ou parar o remédio é sempre do médico que acompanha o paciente.

Com informações de Agência Europeia de Medicamentos (PRAC, junho de 2025), EMA (bula europeia do Ozempic), Anvisa e O Globo.

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