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Agência europeia recomenda aprovar o Foundayo, pílula da Lilly para obesidade e diabetes tipo 2

Parecer da EMA abre caminho para o segundo comprimido da classe das canetas na Europa; a decisão final é da Comissão Europeia.

Por Redação wellvy.news ·

Prédio envidraçado de vários andares sob céu azul, com bandeiras na entrada
Edifício Vivaldi, em Amsterdã, sede da Agência Europeia de Medicamentos, em outubro de 2019, pouco antes de ficar pronto. Foto: Ceescamel (CC BY-SA 4.0)

O comitê de medicamentos de uso humano (CHMP) da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomendou a autorização do Foundayo, comprimido de orforglipron da Eli Lilly, para controle de peso e para o tratamento do diabetes tipo 2 em adultos. O parecer foi adotado na quinta-feira (15) e divulgado nesta sexta (16). Ainda não é a aprovação: quem decide agora é a Comissão Europeia.

O orforglipron age no mesmo receptor das canetas de semaglutida e tirzepatida, o do hormônio GLP-1, que controla apetite e glicose. A diferença é que é uma molécula pequena, que não é proteína, e por isso pode ser engolida. Segundo a EMA, o comprimido é tomado uma vez por dia, a qualquer hora, com ou sem comida, e a dose começa baixa e sobe aos poucos. Só pode ser vendido com receita.

O que os estudos mostraram

Para o controle de peso, a recomendação se apoia em dois ensaios com 4.740 adultos com obesidade (IMC a partir de 30) ou sobrepeso (IMC entre 27 e 30) e pelo menos um problema de saúde ligado ao peso; um dos grupos tinha diabetes tipo 2, o outro não. Depois de 72 semanas, quem tomou o remédio perdeu de 5% a 11% do peso corporal, conforme a dose, contra 2% a 2,5% no grupo placebo.

Para o diabetes, foram quatro estudos com 3.765 adultos sem controle adequado da glicose. A hemoglobina glicada (HbA1c), marcador do controle do açúcar no sangue, caiu de 1,2 a 1,9 ponto percentual com o Foundayo. A queda foi de 0,4 a 0,8 ponto com placebo, de 0,8 ponto com dapagliflozina 10 mg e de 1,2 a 1,5 ponto com semaglutida oral nas doses de 7 mg e 14 mg.

Os ensaios são randomizados e foram patrocinados pela fabricante. Os dois de perda de peso, ATTAIN-1 e ATTAIN-2, foram publicados em periódicos revisados por pares: The New England Journal of Medicine e The Lancet. Os efeitos colaterais mais comuns, segundo a EMA, foram náusea, vômito e diarreia, mais frequentes na fase de aumento da dose.

Próximos passos

Se a Comissão Europeia seguir o parecer, preço e reembolso serão decididos por cada país do bloco. O Foundayo seria o segundo comprimido da classe para controle de peso na Europa: o Wegovy em comprimido, da Novo Nordisk, recebeu parecer favorável da EMA em maio. Nos Estados Unidos, a pílula da Lilly está à venda desde abril, segundo o Valor.

A disputa interessa ao Brasil porque as duas empresas são as donas do Mounjaro e do Ozempic, as canetas mais conhecidas por aqui, e o comprimido é a próxima frente dessa briga. Remédio para obesidade ou diabetes, em caneta ou comprimido, só com receita e acompanhamento médico.

Com informações de Agência Europeia de Medicamentos (EMA), EMA (resumo do parecer do CHMP sobre o Foundayo), The New England Journal of Medicine (ATTAIN-1, via PubMed), The Lancet (ATTAIN-2, via PubMed) e Valor Econômico.

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