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Nutrição

Refrigerante diet e água tiveram efeito equivalente no peso em estudo de dois anos com 493 adultos

Ensaio britânico, pago pela associação americana de fabricantes de bebidas, viu perda de 4,8 kg com bebida adoçada e 3,7 kg com água; menos da metade chegou ao fim.

Por Redação wellvy.news ·

Copo de vidro com refrigerante de cola, cubos de gelo e duas fatias de limão sobre fundo cinza
Copo de refrigerante de cola com gelo e limão. Foto: pic_p_ter (Domínio público)

Trocar a água por refrigerante diet não atrapalhou nem ajudou de forma significativa quem estava num programa de emagrecimento, segundo um ensaio clínico randomizado da Universidade de Liverpool, no Reino Unido. Depois de dois anos, quem bebeu as versões com adoçante tinha perdido 4,8 kg em média, e quem bebeu água, 3,7 kg. A diferença de 1,1 kg não foi estatisticamente significativa, e os autores classificaram as duas opções como equivalentes. O estudo saiu em agosto no British Journal of Nutrition.

O ensaio, chamado SWITCH, sorteou 493 adultos com sobrepeso ou obesidade (IMC entre 27 e 35) que tinham o hábito de tomar bebidas geladas: 246 foram orientados a beber água e 247 a beber refrigerantes, bebidas de fruta e águas saborizadas diet, adoçados principalmente com aspartame, acessulfame e sucralose, sem proibição de água. As bebidas eram fornecidas pelos pesquisadores. Todos participaram de um programa de emagrecimento em grupo, com encontros semanais por 12 semanas e mensais até completar um ano. No segundo ano, seguiram sem acompanhamento.

Os dois grupos emagreceram mais nos três primeiros meses. O grupo do refrigerante diet chegou ao menor peso na semana 36, e o da água, na semana 44; depois disso, ambos recuperaram parte dos quilos, um pouco mais devagar entre os que tomavam a versão adoçada. As análises que estimaram os dados de quem abandonou o estudo deram o mesmo resultado.

A fome aumentou levemente nos dois grupos ao longo dos dois anos, com significância estatística apenas entre os que tomavam bebida adoçada, mas sem diferença entre os grupos. O consumo de açúcar caiu nos dois.

Quem pagou e o que o estudo não responde

O ensaio foi financiado pela American Beverage Association, entidade que reúne os fabricantes de bebidas dos Estados Unidos. Segundo o artigo, ela não participou do desenho, da condução nem da análise, mas um representante pôde revisar o manuscrito, e a redação teve apoio de um redator pago pela associação. Parte dos autores declarou também, fora deste trabalho, honorários ou verbas de entidades do setor de adoçantes e alimentos. Uma empresa independente auditou os dados.

Há outras limitações. Só 220 dos 493 participantes (45%) chegaram à pesagem final, perda que os autores atribuem em parte à pandemia e ao fato de o segundo ano ter sido opcional. O estudo foi feito em um único centro na Inglaterra, não era cego (cada um sabia o que bebia) e o consumo foi registrado pelos próprios participantes em diários online. E todos estavam em um programa estruturado de emagrecimento: o resultado não diz que a bebida diet, sozinha, faz perder peso.

A conclusão contrasta com a Organização Mundial da Saúde, que em 2023 recomendou não usar adoçantes não açúcares para controle de peso, com base em revisão que não viu benefício de longo prazo na gordura corporal. A recomendação da OMS é condicional e não vale para pessoas com diabetes. Os autores do ensaio britânico argumentam que a conclusão da OMS se apoiou sobretudo em estudos observacionais, e que ensaios randomizados longos, como o deles, ainda são poucos.

Na prática, o estudo indica que, dentro de um plano de emagrecimento, tanto a água quanto a bebida diet podem substituir o refrigerante com açúcar. Para decidir o que faz sentido na sua alimentação, procure um nutricionista.

Com informações de British Journal of Nutrition (Harrold et al., 2026), OMS (diretriz sobre adoçantes não açúcares, 2023) e Revista Galileu.