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Nutrição

Creatina evitou danos no hipocampo de ratos com colite, mostra estudo espanhol

Pesquisa da Universidade de Sevilha foi feita só em animais; o efeito em pessoas com doença inflamatória intestinal ainda não foi testado.

Por Redação wellvy.news ·

Rato branco de laboratório, de olhos vermelhos, ao lado das grades da gaiola
Rato albino de laboratório em gaiola. Foto: Dana Doskaliuk (CC BY 4.0)

Ratos com colite crônica que receberam creatina não tiveram a inflamação e os danos nos neurônios do hipocampo, região do cérebro ligada à memória, vistos nos animais sem o suplemento. O estudo, da Universidade de Sevilha, na Espanha, saiu na revista científica Brain, Behavior, and Immunity. É uma pesquisa em animais: o efeito não foi testado em pessoas.

Os pesquisadores provocaram colite ulcerativa em ratos machos e fêmeas com sulfato de dextrana sódica, substância usada em laboratório para inflamar o intestino. Depois, analisaram a estrutura e a atividade elétrica dos neurônios da área CA1 do hipocampo e compararam animais que tomaram creatina por via oral com os que não tomaram. O resumo do artigo não informa quantos animais foram usados.

O que mudou nos animais

A inflamação no intestino chegou ao cérebro, como prevê a ideia do eixo intestino-cérebro, e foi pior nos machos. Neles, houve dano aos neurônios da área CA1, queda da excitabilidade elétrica e aumento de um canal de potássio, o Kv2.1. Nas fêmeas, o quadro foi bem mais leve: os neurônios mantiveram a integridade e as propriedades elétricas, apesar de algumas mudanças moleculares.

Nos dois sexos, os animais que receberam creatina não tiveram a neuroinflamação, a ativação da micróglia (as células de defesa do cérebro), o dano aos neurônios nem a alteração elétrica. O suplemento também repôs os níveis de creatina no hipocampo. Segundo os autores, o efeito parece menor nas fêmeas porque elas tinham menos dano para começar.

O trabalho segue outro do mesmo grupo, publicado em 2025 na revista Food & Function. Também em ratos com colite, a creatina reduziu os sintomas intestinais e evitou comportamentos parecidos com ansiedade e depressão.

Por que ainda não vale para pessoas

O modelo de colite em rato imita parte da doença humana, mas o que acontece no animal nem sempre se repete em gente. Os autores chamam a creatina de candidata promissora para prevenir disfunção cerebral causada por inflamação. Para saber se isso vale para pessoas com retocolite ulcerativa ou doença de Crohn, são necessários ensaios clínicos em humanos. Os pesquisadores declararam não ter conflito de interesse.

A creatina é um dos suplementos mais usados por quem treina, e o interesse pelos efeitos dela no cérebro cresce. Este estudo, porém, não autoriza usar o suplemento para proteger o cérebro nem para tratar colite. Quem tem doença inflamatória intestinal deve manter o tratamento indicado e conversar com o médico ou o nutricionista antes de tomar qualquer suplemento.

Com informações de Brain, Behavior, and Immunity (Ruiz-Calero et al., 2026), PubMed, Food & Function (Sotelo-Parrilla et al., 2025) e FitFeed.

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