Usuários de canetas compram mais proteína e menos doce, e isso muda o que se vende de suplemento e lanche
Pesquisas da Acosta, da Circana e da NielsenIQ mostram a mesma troca nos EUA e no Brasil: proteína, fibra e hidratação ganham espaço; chocolate e salgadinho perdem.

Quem usa canetas à base de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, está mudando o carrinho de compras na mesma direção nos Estados Unidos e no Brasil: mais proteína, fibra e alimentos frescos; menos doce, salgadinho e bebida açucarada. A indústria de suplementos e de lanches já reage, e a mudança chega ao balcão de quem vende produto dentro de studio ou academia.
Nos EUA, a Acosta Group ouviu 2.117 adultos entre 13 e 25 de fevereiro de 2026, dos quais 213 usavam GLP-1 no momento. Entre esses usuários, 30% disseram comprar mais shakes e proteína em pó e 29%, mais barras de proteína. Também cresceram verduras e frutas frescas (55%), iogurte (32%) e frango fresco (31%). Do outro lado, 58% compram menos doces, 44% menos salgadinhos e 41% menos bebidas açucaradas. As categorias de maior interesse foram produtos ricos em proteína, em fibra, de hidratação com eletrólitos e para o intestino.
A Circana estima que os lares com usuário de GLP-1, 23% dos domicílios americanos, devem responder por 35% das unidades de alimentos e bebidas vendidas no país até 2030. No relatório de snacks de julho, a consultoria diz que esses consumidores trocam chocolate, doces e frituras por opções com proteína, castanhas e grãos, e aponta espaço para porções menores e mais densas em nutrientes.
No Brasil, a caneta disputa o orçamento
Por aqui, estudo da NielsenIQ publicado em abril mostra que só 5% dos lares usam as canetas, mas 26% dos consumidores declaram interesse. Entre os usuários, 76,9% reduziram ou cortaram chocolates e doces e 73,4% passaram a comer menos snacks e biscoitos. Em compensação, 84,4% aumentaram o consumo de proteína animal e 67,6% compram mais verduras e legumes.
O tratamento pesa no bolso: 62,2% dos lares usuários dizem ter deixado outros gastos de lado para pagar a caneta, e 34,2% dos que compram todo mês gastam mais de R$ 1.200 por mês com ela. Os cortes mais citados foram saídas a bares (62,3%), serviços (56,6%), restaurantes (54,9%) e lazer (50%). A pesquisa não detalha se a mensalidade de academia ou studio entra em alguma dessas contas. O usuário é concentrado na faixa de renda alta, que responde por 69,5% dos lares que usam.
Na indústria de suplementos, a resposta tem sido lançar produtos “de acompanhamento”, com multivitamínico, fibra, probióticos e proteína, segundo a NutraIngredients. Há, porém, um limite de comunicação: na Grã-Bretanha, a consultoria Lumina Intelligence orienta restaurantes a “descrever o prato, não o remédio”, porque não existe alegação de saúde autorizada ligada ao GLP-1. A própria pesquisa da Acosta encontrou consumidores desconfiados do selo “GLP-1 friendly”.
O que isso indica para quem vende suplemento ou lanche no studio
O aluno que usa caneta tende a comer menos e a escolher melhor, então o espaço na geladeira e no balcão favorece opções com proteína, fibra e hidratação, em porções menores, e não doces de impulso. Para o dono do negócio, vale olhar o próprio giro de produtos antes de ampliar estoque.
Na comunicação, a regra brasileira é clara: suplemento só pode usar as alegações da lista autorizada pela Anvisa, o que exclui prometer efeito ligado à caneta. Quem usa o remédio deve ajustar alimentação e suplementação com médico e nutricionista; ao studio cabe o treino, orientado por profissional de educação física.
Com informações de Acosta Group (pesquisa “GLP-1: Transforming Weight Loss and Consumer Behavior”), NielsenIQ Brasil, Circana (GLP-1 e vendas de alimentos e bebidas), Circana (2026 Global Snack Unwrap), NutraIngredients, FoodNavigator e The Morning Advertiser.



