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Receitas digitais de canetas GLP-1 sobem 304,9% em 2025; 7 em cada 10 são para mulheres

Levantamento da Memed mostra o Mounjaro com 58% das receitas no 1º semestre de 2026 e um perfil concentrado em mulheres de 30 a 49 anos.

Por Redação wellvy.news ·

Corredores de uma farmácia com prateleiras de medicamentos e produtos de higiene
Corredores de farmácia com prateleiras de medicamentos e produtos de higiene, nos Estados Unidos. Foto: Infrogmation of New Orleans (CC BY-SA 4.0)

O número de receitas digitais de canetas da classe GLP-1, grupo que inclui a semaglutida (Ozempic, Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro), cresceu 304,9% em 2025 sobre 2024. O dado é do Panorama de Prescrição Digital 2026 da Memed, plataforma de receita eletrônica, e foi o terceiro ano seguido de alta: +17,7% em 2023 e +29,8% em 2024.

O levantamento cobre as receitas emitidas pela plataforma entre 2022 e 2025, com um recorte do 1º semestre de 2026 para as marcas. Ele mede o que passa pela Memed, não o mercado inteiro, e conta receitas, não pessoas: não diz quantos brasileiros usam as canetas nem por quanto tempo.

Dentro desse universo, a liderança trocou de mão rápido. O Ozempic tinha 66% das receitas da categoria em 2022 e caiu para 4% no 1º semestre de 2026. O Mounjaro estreou com 44% em 2025 e chegou a 58% em 2026. O Wegovy ficou com 20%.

Quem recebe a receita

O perfil é concentrado. Mulheres respondem por 69,33% das receitas, 2,3 vezes o volume dos homens, e pessoas de 30 a 49 anos somam 54%. Endocrinologia e metabologia assinam 77,58% das prescrições; cardiologia (6,92%), clínica geral (5,88%), ginecologia (5,30%) e psiquiatria (4,32%) vêm atrás.

O salto coincide com uma mudança de regra. Desde 23 de junho de 2025, a farmácia só vende esses remédios com retenção da receita, que vale 90 dias, e precisa registrar cada venda, segundo a RDC nº 973 e a IN nº 360 da Anvisa.

No caixa das redes, o efeito aparece no balanço. Na teleconferência de resultados do 2º trimestre de 2026, em 5 de agosto, o CEO da RD Saúde (Droga Raia e Drogasil), Renato Raduan, disse que os GLP-1 já são cerca de 12% da receita da companhia: 8,5 pontos vêm da tirzepatida e 3,5 da semaglutida, segundo o Seu Dinheiro.

O que isso sinaliza para studio e academia

Para quem tem studio ou academia, o dado mais útil é o perfil: mulher, de 30 a 49 anos, com receita de endocrinologista. Vale cruzar com a própria base de alunos antes de tirar conclusão. A pesquisa da Memed não diz se essas pessoas treinam, nem onde.

O que tem lastro é o papel do treino. Um documento conjunto de quatro sociedades médicas e de nutrição dos EUA, publicado em 2025 no American Journal of Clinical Nutrition, recomenda que o tratamento com GLP-1 venha acompanhado de treino de força e de alimentação adequada para preservar músculo e osso, com apoio de nutricionista. É uma recomendação de especialistas, não um ensaio clínico.

Na prática, o aluno que usa caneta chega com acompanhamento médico, e o trabalho do professor é o treino, não o remédio: dose, troca de marca ou interrupção são conversa para o médico. Quem pensa em usar uma dessas canetas deve procurar um médico; para ajustar treino e dieta, um profissional de educação física e um nutricionista.

Com informações de Memed – Panorama de Prescrição Digital 2026 (divulgação via Saúde Digital News), Anvisa – Perguntas e respostas sobre a RDC nº 973/2025 e a IN nº 360/2025 (GLP-1), American Journal of Clinical Nutrition – Mozaffarian et al., 2025 (PubMed 40450457), Seu Dinheiro – teleconferência de resultados do 2º tri de 2026 da RD Saúde e Panorama Farmacêutico.

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