Compras de empresas de saúde somam R$ 37,9 bilhões no semestre, alta de 506,9%, com menos negócios
Pesquisa da KPMG compara o 1º semestre de 2026 com o de 2025: o valor sobe, as operações caem de 83 para 55, e o fitness não aparece separado.

As fusões e aquisições no setor de saúde, ciências da vida e bem-estar movimentaram R$ 37,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 506,9% sobre os R$ 6,2 bilhões de janeiro a junho de 2025. No mesmo período, o número de operações caiu 33,7%, de 83 para 55. Os dados são da Pesquisa Trimestral de M&A da KPMG e foram divulgados pela consultoria no início de setembro; o Times Brasil voltou ao número nesta quinta-feira (15).
A comparação é entre semestres iguais de anos seguidos. A KPMG conta operações anunciadas que envolvem empresas brasileiras como compradoras, vendedoras ou alvo, uma vez por empresa-alvo, com dados de plataformas de mercado e fontes públicas. Como muitas operações não têm valor divulgado, a consultoria avisa que contagem e volume financeiro podem usar bases diferentes. A edição também estreou metodologia nova, que passou a incluir os valores divulgados e reagrupou os setores.
Menos negócios, e maiores
O setor repete o desenho do mercado inteiro. No Brasil, o semestre teve 610 transações e R$ 195 bilhões, com queda de 35% na quantidade e alta de 22,3% no valor. Mais de 85% do dinheiro veio de operações acima de R$ 1 bilhão, que a KPMG chama de megadeals.
Na saúde, hospitais, clínicas e laboratórios lideraram em número de transações, mas com tíquete médio menor, o que a consultoria lê como consolidação geográfica de grandes redes e verticalização. "O setor deve seguir de forma disciplinada, priorizando posicionamento regional, liderança consolidada", disse Guilherme Couri, sócio da KPMG para o setor, segundo a Medicina S/A.
Um exemplo do semestre é a compra da 4Bio, de medicamentos especiais, pela Profarma. Pelo fato relevante de março, o valor base é de R$ 600 milhões, incluindo R$ 80 milhões de caixa líquido que ficam na empresa, pagos com R$ 100 milhões no fechamento e cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões corrigidas pelo CDI. A 4Bio, que pertencia à RD Saúde, faturou R$ 3,4 bilhões nos 12 meses até setembro de 2025.
E o fitness?
"Bem-estar" está no nome do setor, mas os números divulgados não separam academias, studios ou marcas de fitness. Os únicos recortes citados são hospitais, clínicas e laboratórios. Para o segundo semestre, a KPMG espera que aquisições ligadas a tecnologia e inteligência artificial ganhem espaço em saúde e ciências da vida, entre outros setores.
Para quem tem studio ou uma rede pequena de academias, o recado é indireto. O dinheiro está indo para menos negócios, maiores e com operação comprovada, num mercado que a própria KPMG descreve como mais seletivo. Quem pensa em vender ou buscar sócio deve esperar um comprador mais exigente com números de alunos, receita e margem.
Com informações de KPMG (Pesquisa Trimestral de M&A, 2º trimestre de 2026), Medicina S/A, Saúde Digital News, Profarma (fato relevante) e Times Brasil | CNBC.



