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Smartwatch identificou 94% dos casos de apneia do sono moderada a grave em estudo de Stanford

O relógio serve para rastrear quem precisa de exame, não para diagnosticar; em São Paulo, um em cada três adultos tem a síndrome, segundo estudo da Unifesp.

Por Redação wellvy.news ·

Pessoa de blusa azul toca com a outra mão a tela de um relógio inteligente preso ao pulso
Relógio inteligente no pulso. O modelo da foto não é o testado no estudo. Foto: Crew (CC0)

Um relógio inteligente comum detectou 94,1% das pessoas com apneia obstrutiva do sono moderada a grave em um estudo feito na Universidade Stanford, nos Estados Unidos. O trabalho, publicado em 27 de agosto no Journal of Clinical Sleep Medicine, da Academia Americana de Medicina do Sono (AASM), testou a função de apneia do Galaxy Watch 6, da Samsung. O resultado interessa a qualquer pessoa que ronca: muitos casos de apneia não chegam a ser diagnosticados.

Os pesquisadores recrutaram 152 adultos a partir de 22 anos que já tinham diagnóstico de apneia moderada a grave ou alto risco de ter a doença, medido por um questionário clínico (STOP-Bang). Desses, 147 completaram o protocolo: duas noites de polissonografia no laboratório do sono de Stanford usando o relógio, intercaladas com pelo menos três noites só com o relógio, em casa. A idade média foi de 54 anos.

Na configuração padrão, o relógio teve sensibilidade de 94,1% (acertou quase todos os que tinham a doença) e especificidade de 66,7%. Na prática, de cada três pessoas sem apneia moderada a grave, uma recebeu alerta à toa. Com um ponto de corte mais alto, calculado pelos autores para esse grupo, a especificidade subiu para 94,9% e a sensibilidade caiu para 82,4%. Ao separar pacientes de alto e baixo risco pela carga de hipóxia (medida de quanto o oxigênio do sangue cai durante a noite), o relógio acertou 100% dos casos de alto risco, sem alarme falso.

Há limites claros. Todos os participantes já tinham apneia ou alto risco, o que facilita o acerto; em pessoas comuns, o desempenho pode ser diferente. O estudo foi feito em um único centro e teve apoio financeiro e material da Samsung, informaram os autores.

Rastreio não é diagnóstico

O relógio estima quantas vezes a respiração para ou fica restrita por hora de sono. O diagnóstico continua dependendo da polissonografia, exame que registra sono, respiração e oxigenação durante a noite e que serviu de referência no próprio estudo. Em comunicado da AASM, o otorrinolaringologista Robson Capasso, de Stanford, que liderou a pesquisa, disse que os aparelhos "não são diagnósticos" e que o valor deles está em encurtar o caminho até a avaliação médica.

A apneia obstrutiva acontece quando a via aérea superior se fecha repetidas vezes durante o sono. Sem tratamento, está associada a maior risco de AVC, infarto, depressão e acidentes de trânsito, segundo a AASM. Ronco frequente e engasgos durante a noite são sinais de alerta.

No Brasil, a referência é o Episono, estudo da Unifesp publicado em 2010 na revista Sleep Medicine. Os pesquisadores fizeram polissonografia em 1.042 adultos de 20 a 80 anos sorteados na cidade de São Paulo, e 32,8% tinham a síndrome da apneia obstrutiva. Homens e pessoas com obesidade tiveram chance bem maior, e o risco cresceu com a idade.

Quem receber um alerta do relógio, ou tiver ronco alto e cansaço durante o dia mesmo sem alerta, deve procurar um médico, de preferência especialista em sono, para confirmar ou descartar o diagnóstico.

Com informações de Journal of Clinical Sleep Medicine (Alavi et al., 2026), American Academy of Sleep Medicine (comunicado) e Sleep Medicine (Tufik et al., 2010, Episono).