Rede de yoga Y7 fecha sem pagar equipe, e fundadora da Solidcore cobre cerca de US$ 123 mil em salários
A rede americana chegou a ter 15 studios; o caso expõe folha atrasada, crédito caro e perda de controle depois da venda.

A rede americana de yoga Y7 fechou seus studios em setembro e deixou cerca de 150 funcionários sem salário. Quem pagou parte da conta foi alguém de fora: Anne Mahlum, fundadora da rede de pilates Solidcore, disse à Athletech News que gastou cerca de US$ 123 mil do próprio bolso para cobrir oito semanas de salário de cada trabalhador que pediu ajuda.
Mahlum não tem relação societária com a Y7. Ela orientou os funcionários a criar páginas de vaquinha no GoFundMe para registrar o que tinham a receber. Mais de 90% criaram, e ela pagou a cada um oito semanas de salário. "Essa indústria significa muito para mim", disse à Athletech News. "Eu fico cansada de ver gente no topo cuidando só de si."
Nascida no Brooklyn, em Nova York, a Y7 ficou conhecida por aulas de yoga em sala aquecida, com música alta e luz de velas. Chegou a 15 studios antes da pandemia. Em fevereiro de 2025, a holding FitLab anunciou a compra da rede, então com nove unidades em Nova York, Los Angeles e Austin. A cofundadora Sarah Larson Levey disse à Athletech News que perdeu o controle operacional depois que a FitLab ficou com a maioria do negócio.
Fechamento por e-mail e salário que não caiu
Em setembro, Vin Miceli, executivo que assinou o comunicado em nome da Y7 Studio Company, avisou os funcionários por e-mail que fecharia todos os studios de Nova York, Los Angeles e Austin, segundo a Hybrid Fitness Media, que teve acesso à mensagem. As duas unidades de Nova York ainda abertas dariam as últimas aulas naquela sexta. Miceli citou a possibilidade de reabrir cinco studios em Nova York, sem garantia, e admitiu que o pagamento previsto para o fim de semana anterior não tinha saído.
Os sinais vinham de antes. Alunos relatavam havia semanas aulas canceladas, unidades fechadas e e-mails sem resposta, e o comunicado aos funcionários não tratava de reembolso de planos pagos. Larson Levey acusou a FitLab e a operadora VM Fitness, em texto publicado no Substack, de levar a Y7 "ao chão" com uma série de más decisões, segundo a Athletech News. Miceli não respondeu à Hybrid Fitness Media.
A dona da Y7 já vinha com as contas apertadas. A Hybrid Fitness Media encontrou em registros públicos da Califórnia uma cobrança fiscal federal de US$ 775.833,28 contra a FitLab, registrada em julho de 2023 e ligada em sua maior parte a impostos sobre a folha não pagos entre 2020 e 2022, além de outras duas cobranças em 2024. Desde março de 2026, a empresa recorreu a pelo menos duas financeiras de antecipação de vendas, crédito de curto prazo e custo alto usado por quem não consegue empréstimo em banco. O co-CEO Brian Kirkbride disse ao veículo, sobre reportagem anterior, que havia informação "falsa e prejudicial", sem apontar qual.
O que o dono de studio pode tirar do caso
- Folha e encargos vêm antes de expansão. As cobranças contra a FitLab nasceram de impostos sobre salários que ficaram para trás.
- Crédito caro para fechar o mês é sinal de alerta. A antecipação de vendas usada pela FitLab lembra a antecipação de recebíveis do cartão: resolve o caixa hoje e come a receita de amanhã.
- Plano pago adiantado é dívida com o aluno. Quando a aula some, a primeira cobrança vem de quem já pagou.
- Ao vender participação, defina em contrato quem manda na operação e quem responde pela equipe. A fundadora da Y7 perdeu as duas coisas.
Mahlum deu o resumo do lado da equipe: "Ninguém sabe melhor do que eu que são as pessoas nos studios que fazem o aluno voltar", disse à Athletech News.
Com informações de Athletech News (entrevista com Anne Mahlum), Hybrid Fitness Media (e-mail do operador aos funcionários), Hybrid Fitness Media (registros públicos da FitLab), Fitt Insider e Athletech News.
