Na Argentina, 65,7% das academias dizem que o aluno começa a treinar pela saúde, não pela estética
Levantamento com donos de academias do país vizinho mostra força na liderança, reformer em terceiro e o público de 45 a 64 anos como o que mais cresce.

Melhorar a saúde, e não a aparência, é o principal motivo para começar a treinar na Argentina, segundo os donos de academia do país. Em levantamento do portal Mercado Fitness, 65,67% dos operadores apontaram "melhorar a saúde geral" como o objetivo número 1 dos alunos. Melhorar a aparência ficou com 13,67%. Ganhar massa muscular, com 2%, e emagrecer, com 1,33%.
O detalhe de método muda a leitura. Quem respondeu foram os donos e gestores das academias, não os alunos. A pesquisa foi feita em 9 de setembro de 2026, por questionário respondido pelo WhatsApp, com operadores de várias regiões do país. Cada pergunta de resposta única teve entre 225 e 300 participantes, média de 262,75. A amostra é voluntária e não probabilística, e o próprio Mercado Fitness avisa que os números mostram a percepção dos operadores, sem representar todas as academias argentinas.
Força na frente, reformer em terceiro
Musculação e treino de força somaram 49,18% das menções entre as duas modalidades mais procuradas. Treino funcional veio em segundo, com 19,38%, e pilates no reformer em terceiro, com 7,13%. Na prática, a força domina o que se faz dentro da academia, e a saúde domina o motivo para entrar nela.
O núcleo do público está entre 35 e 49 anos, faixa que reúne 72,57% das respostas. Mas o crescimento vem de cima: para 30,67% dos operadores, a faixa de 50 a 54 anos foi a que mais cresceu nos últimos três anos, e as faixas de 45 a 64 anos somam 63,11%. O horário de pico é das 19h às 21h para 59,62% das academias.
O professor de sala segue no centro. Em 64,6% das academias, a maioria dos alunos treina com acompanhamento dele, e em 24,45%, em aula coletiva. Treinar só com rotina própria ficou em 3,28%, e com orientação de inteligência artificial ou aplicativo, em 0,36%. Entre os serviços extras mais vendidos estão bebidas e hidratação (27,62% das menções), personal trainer (21,6%) e suplementos (12,47%).
O diretor do Mercado Fitness, Guille Vélez, desconfiou de um dado: mais da metade dos operadores disse que o aluno vai 11 a 12 vezes por mês. "É uma frequência muito alta, especialmente se comparada com estatísticas internacionais, que costumam situar a média mais perto de 6 a 7 visitas mensais", afirmou no site. Para ele, a resposta pode refletir o plano contratado, como três vezes por semana, e não a presença real, e precisa ser conferida com o registro da catraca.
O que isso sugere para studio e academia
A pesquisa não inclui o Brasil e não deve ser lida como retrato do mercado brasileiro. Ainda assim, para quem cuida da comunicação de um studio ou academia, os achados apontam alguns caminhos:
- Falar de saúde, autonomia e qualidade de vida tende a conversar com mais gente do que falar só de corpo.
- O aluno acima de 45 anos aparece como o público que mais cresce; anúncio, aula experimental e foto do site precisam mostrar essa pessoa.
- Força continua sendo o produto principal, inclusive para quem treina por saúde.
- Antes de usar a percepção da equipe para decidir, compare com os dados de acesso: frequência real é o primeiro sinal de cancelamento.
Vélez resumiu o risco de confiar só na impressão: se os alunos de fato fossem com aquela frequência de forma constante, disse ele, o abandono e a rotatividade provavelmente seriam bem menores.
Com informações de Mercado Fitness (relatório "Perfil y hábitos del usuario de gimnasios de Argentina 2026") e Mercado Fitness.
